Poste fotovoltaico feito de garrafa pet produzido por empresa da UnB

Rio de Janeiro 27/05/2015 | 8:51 - Por: Redação Sustentarqui

Poste fotovoltaico feito de garrafa pet produzido por empresa júnior da UnB

Poste fotovoltaico feito de garrafa pet

O líder do projeto, Pedro Gonzalez monta o protótipo facilmente - Foto: Natália Ribeiro

O poste fotovoltaico feito de garrafa pet é o primeiro a ser desenvolvido com a tecnologia no país e deve ser instalado em comunidades carentes.

A ENETEC, empresa júnior de Engenharia Elétrica da UnB, em parceria com o projeto Litro de Luz Brasil, desenvolveu um protótipo de poste de luz facilmente replicável, que foi finalizado em abril.

O Presidente da ENETEC Marcus Vinicius Leite conta que o sistema tem um potencial enorme de mudança na sociedade. “A própria comunidade ajuda a instalar os postes, trazendo um senso de pertencimento por parte deles, evitando, assim, o vandalismo”, explica.
O presidente da “Liter of Light”, Vitor Belota, explica que os voluntários já iniciaram o contato com os moradores, com o objetivo de estabelecer uma relação de confiança. “O processo de abordagem dura meses”, conta. Todos os finais de semana, cerca de 40 integrantes do projeto vão à Vila Beira Mar,em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, para dar aulas de eletrônica básica e trabalhar na instalação dos postes.

“Ao todo, já mapeamos 130 postes. Na primeira visita, que acontecerá no dia 26 de junho, serão 36 postes instalados”, afirma Vitor. Ao fim do dia de domingo, todos os moradores se juntam com os voluntários e eles assistem ao por do sol. Quando escurece, as lâmpadas se acendem. “É um momento muito especial”, completa.

O próximo desafio da empresa é conseguir parcerias para reduzir os custos de produção. O líder do projeto Pedro Gonzalez explica que o custo ainda é um pouco alto devido ao preço dos materiais no Brasil.

 

Poste fotovoltaico feito de garrafa pet UNB

A lâmpada, no escuro, acende automaticamente

A ENETEC aguarda a autorização da UnB para instalar um modelo na própria Faculdade de Tecnologia. A meta é aprimorar ainda mais o protótipo por meio de testes. Pedro conta que foi a primeira vez que os membros da empresa júnior trabalharam com fotovoltagem. A área despertava muito interesse nos alunos, mas, até então, eles nunca haviam tido a oportunidade de desenvolver um painel fotovoltaico. “Na última semana, seis integrantes da equipe foram fazer um curso sobre o assunto no Rio de Janeiro”, revela.

A tecnologia que gerou o projeto foi desenvolvida pelo mecânico brasileiro Alfredo Moser em 2002 nas Filipinas e se propagou por diversos países. O projeto só chegou ao Brasil em 2014, devido à iniciativa do estudante Vitor Belota Gomes, que procurou a ENETEC para desenvolver o protótipo. Ele lecionava matemática na África e se deparou com a ONG internacional “Liter of Light”, responsável por desenvolver o projeto no mundo inteiro. A “Liter of Light” já possui 21 células e foi fundada pela organização filipina “My Shelter Foundation”, após a criação do mecânico Alfredo.

O poste fotovoltaico feito de garrafa pet funciona de maneira simples: durante o dia, a placa fotovoltaica capta a luz solar e a armazena em uma bateria. À noite, quando já não há mais sol, a energia armazenada é transmitida para a lâmpada. A iniciativa já tem parceiros com a Pepsi e com o Grupo Sika, que fornecem as garrafas reutilizadas e os materiais para selagem e vedação do poste, respectivamente.

O protótipo custou aproximadamente R$ 80 e foi feito com um circuito desenvolvido pela equipe da ENETEC – uma bateria de chumbo, PVC, quatro power leds que assumem a função de “lâmpada” e emitem a luz, uma placa solar e a garrafa PET.

Poste fotovoltaico feito de garrafa pet

Quando o painel fotovoltaico percebe que há luz, a lâmpada apaga

Para a equipe da ENETEC, a participação no projeto é significativa. “Muitas pessoas não têm luz. Isso pode parecer uma realidade distante de nós, mas não é”, lembra Pedro. A iluminação aumenta a segurança dentro das comunidades e, por isso, é imprescindível. Poder trabalhar com a parte prática do curso de engenharia é o que mais motiva Isabel dos Santos, também integrante do projeto. “O curso na UnB é extremamente teórico”, conta.

 

Materia Original e fotos: Campus UNB por Natália Ribeiro

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