Biblioteca do Saber no Rio de Janeiro incrível projeto de Francis Kéré

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Biblioteca do Saber francis kere

O escritório do renomado arquiteto Francis Kéré é o responsável pelo projeto Biblioteca do Saber no Rio de Janeiro.

Inicialmente idealizada para ser parte de um equipamento cultural na região da Pequena África — território histórico e simbólico da cultura afro-brasileira na zona portuária do Rio, agora funcionará como âncora para o projeto batizado “Praça XI Maravilha”, que abarca o Boulevard do Samba.

vista aerea da Biblioteca dos Saberes

Biblioteca do Saber

A proposta é que a biblioteca seja não apenas um centro de leitura e conhecimento, mas também um símbolo de transformação urbana, inclusão social e sustentabilidade. O projeto chega no ano em que o Rio foi eleito Capital Mundial do Livro pela UNESCO, consolidando a cidade como referência cultural e educativa.

Inspirada nas grandes bibliotecas do mundo, entre as quais a Biblioteca e Centro Cultural House of Wisdom, em Sharjah, Emirados Árabes Unidos; a Bibliotheca Alexandrina, no Egito; e a Biblioteca de Pequim, na China, a futura Biblioteca do Saber busca se tornar um novo marco arquitetônico e urbano.

O projeto integra uma iniciativa urbana mais ampla, a Praça Onze Maravilha, um conjunto de ações que vão transformar a região e o entorno do Sambódromo. O local escolhido, o Terreirão do Samba, ao lado do monumento a Zumbi dos Palmares, território onde nasceu o samba e a identidade cultural da cidade. Construir ali a Biblioteca dos Sabres reafirma que o patrimônio intelectual do Rio também nasce da cultura popular e das ruas.

vista aerea biblioteca dos saberes

Apresentação do projeto da Biblioteca do Saber

A primeira apresentação do projeto aconteceu durante uma cerimônia na antiga Escola de Samba GRES Estácio de Sá, onde Francis Kere foi recebido como residente honorário do Rio.

Com mais de 40 mil metros quadrados, o edifício terá cobogós, pilotis e jardins suspensos que conferem leveza a uma arquitetura de escala monumental.

No centro da biblioteca, ergue-se uma alta estrutura vertical, descrita como “a árvore do saber”, inspirada nas árvores nativas do Rio e nas árvores que congregam a cidade natal de Francis Kere, em Burkina Faso.

torre biblioteca dos saberes
torre biblioteca dos saberes

Esse elemento funciona como uma espinha dorsal da estrutura, conectando salas de leitura, oficinas, áreas de exposição, um auditório, terraços a céu aberto e um jardim na cobertura. Pátios ajardinados e espaços externos sombreados acolhem atividades de aprendizagem, apresentações e atividades comunitárias.

O projeto se inspira na rica herança da região, celebrando a cultura afro-brasileira, o saber indígena e as tradições que moldaram a identidade do Rio. A Biblioteca dos Saberes foi concebida como um espaço público aberto e inclusivo que convida moradores e visitantes a interagirem com o conhecimento, a cultura e uns com os outros.

Com base em princípios da arquitetura sustentável, o projeto valoriza o uso consciente dos recursos, o respeito ao território e o diálogo com as comunidades locais. Trata-se de um exemplo concreto de como a arquitetura pode ser ferramenta de reparação histórica, expressão cultural e regeneração urbana — conectando passado e futuro, tradição e contemporaneidade.

Biblioteca do Saber no Rio de Janeiro - projeto de Francis Kéré

Francis Kéré

Reconhecido internacionalmente por integrar sustentabilidade, identidade local e participação comunitária em seus projetos, Kéré se tornou referência global por sua capacidade de reinventar técnicas e materiais tradicionais com soluções inovadoras e ambientalmente conscientes.

Francis kere apresentacao biblioteca dos saberes
O arquiteto Francis Kéré durante a apresentacao biblioteca dos saberes- Foto: Beth Santos

Sua arquitetura é enraizada nos valores da coletividade e da valorização cultural, demonstrando que a construção de espaços pode, e deve dialogar com o território e as pessoas que o habitam.

Nascido em Burkina Faso, Diébédo Francis Kéré se formou na Universidade Técnica de Berlim. Ele é cidadão alemão e residente na capital do país desde 1985. Em paralelo aos seus estudos e trabalhos, criou a Fundação Kéré e posteriormente abriu seu próprio ateliê, o Kéré Architecture.

Além do prêmio Pritzker, considerada a maior premiação da arquitetura mundial, Keré recebeu outros reconhecimento, como o Prêmio Aga Khan de Arquitetura de 2004 pelo prédio da escola primária de Gando, em Burkina Faso, a medalha de ouro no Global Award for Sustainable Architecture.

Saiba mais sobre Francis Kéré, vencedor do Prêmio Pritzker de 2022, e seus incríveis projetos

Crédito das imagens: © Kéré Architecture

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