Economia de água em construções sustentáveis - SustentArqui

Rio de Janeiro 03/06/2015 | 8:10 - Por: Redação Sustentarqui

Economia de água em construções sustentáveis

Economia de água em construções sustentáveis

Imagem: Green Creative Commons

Um dos principais desafios do país atualmente é encontrar soluções econômicas e significativas para superar as dificuldades em relação ao cenário energético e hídrico pelas quais o Brasil passa. O abastecimento de água enfrenta grandes desafios. A escassez e os investimentos necessários em infraestrutura já impactam no custo da água para a população.

Vários são os projetos para tentar amenizar os problemas de abastecimento. Dentre eles, podemos citar as obras para transposição de rios, o trabalho de despoluição e a proteção de mananciais. Todas estas alternativas requerem altos investimentos, tempo para planejamento e execução de obra, gerando benefícios no médio e longo prazo. Em paralelo a isso, soluções de curto prazo podem e devem ser adotadas para a melhor utilização da água, tais como a redução do desperdício, e maior eficiência também no reaproveitamento.

Nos grandes centros urbanos do país, as edificações – tanto no segmento comercial, residencial ou público – são responsáveis pelo maior consumo de água potável. Nesse ponto, pode-se destacar que o movimento da construção sustentável, que preza pelo consumo inteligente desse recurso, desde a execução da obra, até no momento de uso e de manutenção, tem contribuído de forma significativa para a mudança desse quadro.

Para se ter uma ideia, uma edificação “verde”, que utiliza tecnologias que vão desde a captação de água da chuva, torneiras que diminuem a vazão de água, até descargas inteligentes, por exemplo, gastam até 40% a menos de água em relação a uma construção comum, de acordo com levantamento do Green Building Council Brasil, entidade que concede as certificações LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) no país às construções sustentáveis.

Do ponto de vista da água, a certificação verifica desde o projeto inicial da construção, materiais que serão utilizados que visam a redução do consumo da água potável, além de alternativas que propiciem o tratamento e o reuso desse recurso. Atualmente existem 245 edificações certificadas LEED no Brasil.

Em São Paulo, por exemplo, a SABESP produz 60 m³/s de água para abastecer a região metropolitana, já considerando as intervenções no sistema de distribuição, como a diminuição na vasão do fluxo de água, e programas de conscientização junto à população. O sistema Cantareira é responsável por 34% desta produção. Com o potencial de redução de consumo nos prédios “green buildings”, economizaríamos 24 m³/s. Ou seja, com a união de uma política integrada de eficiência que englobe a construção, reforma e operação das edificações, além da conscientização da população, seria possível atingir, sem grandes investimentos e com ótimas taxas de retorno, uma economia de água superior a quantidade de água produzida pelo sistema Cantareira por ano.

Diante disso, cresce a mobilização de organizações e associações que trabalham no incentivo às práticas de construção sustentável que visam, entre outros pontos, a economia de água. Dentre as principais atividades desses grupos está a promoção de sistemas de certificação de edificações projetadas, construídas e operadas (como é o caso do LEED) com o intuito de maximizar seu desempenho no consumo de recursos naturais, bem como as atividades de readequação hídrica de edificações já existentes.

Hoje o Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial das construções sustentáveis, atrás apenas de Estados unidos e China. Com status de potência no segmento, o país recebe a 6ª edição da Greenbuilding Brasil – Conferência Internacional e Expo – a maior feira de construção sustentável da América Latina, que será realizada em agosto, em São Paulo. Trata-se de uma grande oportunidade de o público ver de perto todas as soluções destinadas aos green buildings presentes no mercado, além de participar diretamente das discussões sobre os avanços da construção sustentável no Brasil.

Estamos vivendo uma realidade animadora, com um futuro sem precedentes para as construções sustentáveis. Esse movimento ganhará ainda mais força se tivemos a contribuição de políticas públicas integradas (ministérios e agências reguladoras) para uma atuação alinhada e com metas audaciosas mirando o curto prazo. Quem ganha com isso é o Brasil, sua população e a sua economia.

 

Texto enviado por: Felipe Faria, diretor geral do Green Building Council Brasil

 

 

Relacionado: 20 dicas para economizar água em casa

,

Comments

estádio feito com contâiners no Catar

Catar apresenta projeto de estádio feito com contâiners para a Copa do Mundo de 2022

O Comitê Supremo de Entrega e Legado (SC), entidade que organiza a Copa do Mundo de 2022 no Catar, apresentou ...

10 grandes projetos de arquitetura solidária

Hoje vivemos em um mundo cheio de mazelas sociais, e por isso, é preciso boa vontade e criatividade para suprir as ...
ecotone triptyque

ECOTONE: projeto da Triptyque é premiado em competição internacional de planejamento urbano

ECOTONE é o mais novo projeto da Triptyque Architecture, com parceria com a Duncan Lewis-Scape Architecture; OXO; ...

Produtos Sustentáveis mais procurados

Tanque Coletor de Água de Chuva ( Cisterna Aparente )

Tanques para captação de água de chuva.

Ecofossa- sistema ecológico de tratamento de esgoto

Ecofossa é um sistema ecológico de tratamento de esgoto que maximiza ações de bactérias e não utiliza energia ...

Notícias mais acessadas

dicas para reaproveitar pallets

Dez dicas para reutilizar paletes de madeira

Afinal, o que é um pallet ou palete? Para que serve? A palavra pallet é de origem inglesa, e em português se ...
vantagens telhados verdes

Vantagens e desvantagens de um telhado verde. Veja exemplos.

Telhado verde, terraço jardim, cobertura vegetal, ecotelhado, telhado ecológico, são vários nomes para esse sistema ...