Cimento reciclado promete reduzir emissões sem perder resistência

25/03/2025 por Redação SustentArqui

Engenheiros da Universidade de São Paulo e da Universidade de Princeton desenvolveram um cimento reciclado que se iguala à resistência do cimento Portland e reduz as emissões em 61%.

Um método inovador para reciclar resíduos de cimento, transformando resíduos de demolição em uma alternativa sustentável e de baixo carbono ao cimento Portland convencional.

Propriedade do cimento reciclado:

  • Cimento reciclado de alta qualidade:
  • Emissões reduzidas em até 61%.
  • Utilização de resíduos de construção.
  • Processo ativado por calor: 500 °C.
  • Mistura otimizada com cimento Portland moído.
  • Menor porosidade e maior resistência.
  • Potencial chave para economia circular.
  • Desafios regulatórios e logísticos.

Uma segunda vida para os resíduos da construção
Engenheiros da Universidade de São Paulo e da Universidade de Princeton desenvolveram uma técnica para reciclar cimento de resíduos de construção e transformá-lo em um material de baixo carbono e alto desempenho.

Este cimento reciclado é comparável em resistência ao cimento Portland tradicional, mas gera uma fração das emissões de CO₂.

O cimento convencional é responsável por aproximadamente 8% das emissões globais, portanto, encontrar alternativas viáveis ​​tem impacto direto na sustentabilidade do setor da construção, que é um dos principais responsáveis pelos impactos no meio ambiente no mundo

Aproveitando um enorme fluxo de resíduos

Em países como os EUA, em 2018, a quantidade de resíduos de construção e demolição foi o dobro da de lixo doméstico. Normalmente, esses materiais acabam em aterros sanitários ou são usados ​​em aplicações de baixa qualidade. Essa nova tecnologia aumenta o valor dos resíduos de cimento, permitindo seu uso em estruturas de alto nível.

Resultados surpreendentes: até 80% de material reciclado

Testes mostraram que misturas contendo até 80% de cimento reciclado termoativado alcançaram propriedades mecânicas semelhantes às do cimento Portland puro, com reduções de emissões entre 198 e 320 kg de CO₂ por tonelada — até 40% menos do que outras alternativas de baixo carbono, como o LC3 (cimento de argila calcinada e calcário).

cimento reciclado

Termoativação: chave do processo

O método consiste em:

  1. Moer o concreto demolido até virar um pó fino.
  2. Aquecer a 500 °C, temperatura suficiente para restaurar a reatividade do cimento sem decompor os carbonatos (evitando emissões extras).
  3. Misturar com pequenas quantidades de cimento Portland moído ou calcário, o que melhora a densidade do material e reduz a demanda de água, aumentando assim sua resistência.

Essa abordagem evita o uso exclusivo de cimento termoativado, que por si só tem uma área superficial específica muito alta, resultando em alta porosidade e menor resistência.

Barreiras à implementação em larga escala

Apesar do potencial, a equipe aponta vários desafios:

  • Classificação eficiente de resíduos para utilização como matéria-prima.
  • Necessidade de infraestrutura especializada em reciclagem.
  • Atualização dos padrões de construção, que ainda são baseados em fórmulas fixas e não em desempenho técnico.
  • Aplicabilidade em cidades maduras, onde há um fluxo constante de materiais de edifícios antigos.


Já estão sendo tomadas medidas nessa direção. Alguns países da Europa e da América Latina começaram a implementar padrões baseados em desempenho, facilitando o uso de materiais inovadores como esses.

Potencial desta tecnologia

Transformar resíduos em recursos úteis é um dos pilares da economia circular. Essa tecnologia não apenas reduz as emissões como também reutiliza materiais locais, reduzindo o impacto do transporte e estendendo a vida útil dos recursos já extraídos.

Além do mais o cimento reciclado:

  • Contribui para a descarbonização de um dos setores mais poluentes do mundo.
  • Permite o desenvolvimento de infraestrutura mais verde e responsável.
  • Representa uma solução viável para países com grande volume de edifícios antigos.
  • Pode inspirar novos modelos de construção, baseados em ciclos fechados de uso de materiais.


Esse tipo de inovação abre caminho para uma construção verdadeiramente sustentável, resiliente e eficiente.

Fontes: Ecoinventos e princeton.edu

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