O Fukushima United FC anuncia planos para um novo estádio de madeira na província de Fukushima, Japão, projetado em colaboração com a startup de arquitetura VUILD, desenvolvido para capacidade para 5.000 pessoas.
A proposta posiciona o estádio como um “símbolo de recuperação”, pois ocupará uma região que continua a carregar a memória do terremoto e do desastre nuclear de 2011. Nesse contexto, o projeto é um gesto de resiliência voltado para o futuro. Com resiliência e design circular incorporados à sua arquitetura, o estádio pretende ser uma expressão duradoura do espírito da região.
O projeto apresenta o primeiro conceito de estádio de madeira circular do país, concebido como um modelo de arquitetura sustentável e voltada para a comunidade.

Estádio de Madeira e Design Circular
Com o planejamento inicial do estádio de madeira para Fukushima, Japão, a VUILD busca manter uma forma em escala humana, acomodando 5.000 pessoas. Em vez de concentrar todos os assentos em uma arquibancada principal dominante, o projeto circula uma seção transversal equivalente a uma casa de dois andares. A equipe divide o estádio em quatro volumes, cada um com sua própria entrada.
O conceito central é o uso de madeira proveniente de florestas locais. Madeira laminada formará a estrutura, com componentes projetados para desmontagem e reutilização. Essa abordagem da VUILD reflete um modelo circular, no qual os materiais são reciclados e retornam ao uso em vez de descartados.
O projeto se inspira na tradição japonesa de Shikinen Sengu, a reconstrução ritual de santuários em intervalos regulares. Aqui, essa ideia se traduz em três ciclos: recursos, comunidade e artesanato.
A equipe organizará programas de reflorestamento, educação em marcenaria e construção participativa para garantir que habilidades e recursos sejam regenerados junto com o próprio estádio.

Uma cobertura inspirada no patrimônio da região
Para alcançar os vãos de seis metros da estrutura do estádio, o projeto emprega cascas paraboloides hiperbólicas formadas por pequenos elementos de madeira de seção transversal. Essas cascas permitem coberturas em balanço na direção curta e vãos longos no eixo principal. Elementos de madeira suspensos em forma de catenária são dispostos em camadas acima da casca, criando um perfil triangular.
A cobertura faz referência às íngremes casas de palha de Ōuchi-juku, uma histórica cidade postal em Fukushima, criando uma ligação visual com o patrimônio construído da região.
A construção é concebida como um ato participativo: os elementos estruturais são projetados para serem erguidos coletivamente, ecoando os rituais cerimoniais de elevação de madeira da tradição japonesa. Este método festivo transforma a construção em um ato simbólico de recuperação, bem como em um processo técnico.


Estratégias de energia passiva
Em resposta ao clima da bacia de Fukushima, o projeto integra estratégias de energia passiva. A forma de cobertura foi concebida para fornecer sombra do forte sol de verão e abrigo dos ventos de inverno. As geometrias das fachadas são moldadas para permitir a entrada de brisas nos meses mais quentes e fornecer isolamento durante o inverno.
A gestão da água e da neve também é essencial. A água da chuva será coletada, filtrada e reutilizada dentro das instalações, enquanto a neve armazenada no inverno ajudará a regular o resfriamento no verão. Essas medidas reduzem a dependência de sistemas mecânicos e apoiam a circulação de energia enraizada nos ritmos sazonais do local.
Além dos ciclos de materiais e do design responsivo ao clima, o estádio de madeira incorpora geração de energia renovável com o objetivo de alcançar a autossuficiência.
O armazenamento de energia garantirá a continuidade do fornecimento, promovendo o objetivo de atender ao Certificação Living Building Challenge, reconhecido como um dos padrões ambientais internacionais mais rigorosos.



Fonte: Designboom







