Material de construção vivo: a inovação suíça que pode transformar a sustentabilidade na construção

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Material de construção vivo: a inovação suíça

O setor da construção civil é responsável por uma parcela significativa das emissões globais de gases de efeito estufa, principalmente devido ao uso intensivo de concreto, aço e outros materiais de alto impacto ambiental. Diante desse cenário, pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Zurique (ETH Zurich) apresentaram uma inovação que pode mudar o paradigma da construção: um material de construção vivo, capaz de capturar dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera ao longo de sua vida útil.

A pesquisa ganhou destaque na imprensa europeia após reportagem do El Confidencial e vem sendo confirmada por fontes científicas e institucionais suíças.

O que é o material de construção vivo?

O chamado material “vivo” combina um hidrogel polimérico com cianobactérias, microrganismos fotossintéticos que utilizam luz solar, água e CO₂ para crescer. Integradas ao material, essas bactérias permanecem ativas e permitem que o elemento construtivo:

  • Capture CO₂ diretamente do ar;
  • Armazene carbono em forma de biomassa e minerais;
  • Continue biologicamente ativo enquanto houver luz e umidade adequadas.

Segundo a ETH Zurich, esse processo transforma o material em um sumidouro ativo de carbono, algo inédito quando comparado aos materiais tradicionais da construção.

Como o material de construção vivo é produzido

O material “vivo” é fabricado por meio de impressão 3D, o que permite controlar com precisão a geometria da peça e criar poros que facilitam a entrada de luz, água e ar — condições essenciais para a sobrevivência das cianobactérias.

De acordo com os pesquisadores, o carbono capturado é armazenado de duas formas:

  1. Na biomassa das próprias cianobactérias;
  2. Na forma de carbonatos minerais, gerados como subproduto do metabolismo biológico.

Esse duplo mecanismo torna o material particularmente eficiente do ponto de vista climático.

material de construçao vivo
Cultivo contínuo por mais de 400 dias: Recém-impresso, a estrutura ainda é macia. Após 30 dias, torna-se autossustentável e adquire uma coloração verde visível. Armazena CO2 continuamente e endurece de dentro para fora. (Escala: 1 cm). (Imagem: Yifan Cui / ETH Zurich)

Aplicações arquitetônicas e testes práticos

Protótipos do material já foram apresentados em exposições internacionais, como a Bienal de Arquitetura de Veneza, onde estruturas feitas com o material demonstraram potencial para capturar até 18 kg de CO₂ por ano, valor comparável à absorção anual de uma árvore adulta em condições ideais.

As possíveis aplicações incluem:

  • Revestimentos de fachada com captura ativa de carbono;
  • Elementos arquitetônicos em espaços urbanos;
  • Componentes construtivos experimentais para projetos de arquitetura regenerativa.

Apesar do potencial, os próprios pesquisadores destacam que o material ainda se encontra em fase experimental, não substituindo, por enquanto, sistemas estruturais convencionais.

Por que essa inovação é relevante?

Diferentemente de soluções que apenas reduzem emissões, o material vivo propõe uma lógica regenerativa: edifícios e infraestruturas que contribuem ativamente para a mitigação das mudanças climáticas ao longo do tempo.

Especialistas apontam que, se tecnologias como essa forem combinadas com estratégias de eficiência energética e baixo carbono, a construção civil pode deixar de ser apenas parte do problema e passar a integrar a solução climática.


Conclusão

O material de construção vivo” desenvolvido na Suíça representa um avanço significativo na interseção entre biotecnologia, arquitetura e sustentabilidade. Embora ainda esteja longe de uma aplicação em larga escala, o conceito aponta para um futuro em que edifícios não apenas ocupam espaço, mas interagem positivamente com o meio ambiente.

Para profissionais e pesquisadores da construção sustentável, trata-se de uma inovação a ser acompanhada de perto.


Fontes consultadas

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