Reciclagem de resíduos da construção deve crescer nos próximos anos

02/12/2013 por Redação SustentArqui

Reciclagem de resíduos da construção deve crescer nos próximos dez anos de 3% para 20%, segundo especialista.

A indústria da construção civil no Brasil deve gerar 100 milhões de toneladas de entulho até o final de 2013. 90 milhões são resíduos da construção e demolição, sendo que só 10% têm algum tipo de reaproveitamento – 3% são reciclados e 7% são usados sem passar por qualquer tipo de beneficiamento, geralmente para tapar buracos, e têm baixo valor agregado.

Quando os resíduos da construção civil (entulho) não tem uma destinação final adequada, eles acabam sendo depositados, clandestinamente, em terrenos baldios, áreas de preservação permanente, vias e logradouros públicos, causando impactos ambientais e na qualidade de vida da população.

Mas com tanto entulho, a indústria da reciclagem começa a vislumbrar uma mina nas construções abandonadas, onde é possível extrair mármore, granito, madeira, brita e areia, além de vidros e telhas. A melhor parte é que a atividade reduz a pressão sobre os recursos naturais e diminui a emissão de gases-estufa.



Segundo estimativas do pesquisador Francisco Mariano Lima, do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, com a reciclagem de resíduos de construção e demolição, que vem sendo chamada de mineração urbana, a tendência é que as cidades se consolidem como fornecedoras de recursos naturais.

— A mineração urbana é um novo setor da reciclagem que está se consolidando no país — afirma Mariano Lima. — Hoje, porém, pouquíssimo é reciclado. Em países como o Brasil, a indústria recicladora ainda emergente só aproveita os produtos de baixa qualidade, que só servem para a base e a sub-base de estradas ou aterros. Por outro lado, a indústria madura nos países desenvolvidos chega a 90% de material reciclado, produzindo agregados de qualidade semelhante aos produtos naturais.

Segundo o especialista, a chave para impulsionar a mineração urbana é a separação de materiais. Em vez de colocar um prédio abaixo de uma vez, os especialistas do setor precisam de tempo para recolher os produtos mais nobres. Primeiro devem ser retirados os vidros, depois os mármores. Em seguida, as telhas e o madeirame são recolhidos, incluindo portas e o que houver de valor. Só então a demolição deve começar.

— Só no prédio da Daslu, em São Paulo, R$ 3 milhões em mármore foram perdidos. Em geral, contratantes querem o terreno liberado rapidamente — lamenta o pesquisador. — A Lei Nacional de Resíduos Sólidos, que determina a logística reversa (quem coloca um produto no mercado deve retirar seus resíduos), deve impulsionar a mineração urbana. O aumento do preço do agregado natural também dará viabilidade à reciclagem.

Para quem quiser iniciar no setor, o Sebrae – MG oferece um guia de negócios, e a Abrecom – Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição disponibiliza no seu site, alguns pontos de recebimento de entulhos recicláveis.

Fonte: O Globo –  26/11/2013 – Cláudio Motta, Sebrae , Abrecom

Reciclagem de resíduos da construção
Ciclo de reciclagem do entulhos – http://www.recinertambientale.com.br/

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